Gramado 2026, TIFF, Veneza e as bilheterias de Obsessão e A Odisseia.
Na Claquete nº 11, Ruy Jobim Neto acompanha a temporada de grandes festivais de cinema de 2026, com destaque para Antártida, de Bruno Safadi, na abertura do Festival de Gramado. A edição também apresenta os filmes selecionados para o TIFF e Veneza e analisa os números de bilheteria de Obsessão e A Odisseia.

Por: Ruy Jobim Neto
Antártida”, com Marina Ruy Barbosa, abre Gramado 2026
Depois de Cannes, a temporada dos festivais já está abrindo no Brasil e no mundo. Por aqui, a 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, na cidade de mesmo nome, na Serra Gaúcha, vai acontecer entre 12 e 22 de agosto, com sua abertura no tradicional Palácio dos Festivais.
Nessa noite, o longa “Antártida”, do cineasta Bruno Safadi, será apresentado fora de competição. No filme, que chega em 17 de setembro aos cinemas de todo o País, estão nomes como Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão e grande elenco, numa história de suspense que acontece na base científica brasileira, no continente gelado. Aliás, Andréa será também homenageada nesta edição do festival, com o Troféu Oscarito.
Além das mostras competitivas de curtas e longas, documentários e de ficção, dos curtas e longas gaúchos, haverá outros homenageados na edição 2026. Os atores Selton Mello e Maria Fernanda Cândido, dois atores que trabalharam com o cineasta Luiz Fernando Carvalho, respectivamente em “Lavoura Arcaica” e “Paixão Segundo G.H.”, receberão o prêmio Kikito de Cristal.
O ator e dramaturgo Marcos Caruso será laureado com o Troféu Cidade de Gramado e a produtora Renata Almeida Magalhães receberá o Troféu Eduardo Abelim. Em tempo: este prêmio refere-se ao cineasta gaúcho e pioneiro do cinema do Rio Grande do Sul, entre os anos 1920 e 1930, Eduardo Abelim, ele que já foi interpretado nas telas pelo ator Carlos Alberto Riccelli. Para fechar o festival em 2026, será exibido o filme “La Perra”, uma coprodução entre Brasil e Chile.
Filmes selecionados para o TIFF 2026, em Toronto
Antecipando a chegada do outono no hemisfério norte, a 51ª edição do TIFF (sigla para o Toronto International Film Festival), sediado na cidade canadense de Toronto, acontecerá em 2026 entre os dias 10 e 20 de setembro. São centenas de projeções de curtas e longas não só do Canadá, mas de todo o mundo, sendo um dos principais termômetros para toda a temporada de premiações.
Há grandes estreias mundiais na programação do TIFF e filmes que também passaram por Cannes deverão dar o ar da graça em Toronto. O filme de abertura será “Being Heumann”, dirigido por Sian Heder, sendo que haverá diretores e elencos transitando pelos corredores do festival, a propósito de lançamentos aguardados de quase 30 países.
Entre os filmes, estão o de Danny Boyle (“Ink”, sobre o magnata da comunicação, Rupert Murdoch), de Pedro Almodóvar (que participou de Cannes 2026, com o seu “Amarga Navidad”, sem levar nenhum prêmio), de John Madden (o diretor de “Shakespeare Apaixonado”, que traz o seu novo filme, “Onwards and Sideways”) e Chris Rock (com o seu quarto longa, “Misty Green”, uma produção da A24), entre tantos outros.
Além das apresentações de gala, as projeções especiais e programas como o Primetime (de séries de TV), o TIFF também apresenta sessões como o Midnight Madness, o Platform, o Discovery, o Centrepiece e o TIFF Docs. Para encerrar a edição de 2026, será projetado o filme “Villeneuve: A Ascensão de Uma Lenda”, dirigido por Yan Lanouette Turgeon. Ao longo do mês de agosto, mais filmes selecionados serão apresentados ao público, pela imprensa especializada.
Os filmes que estarão em Veneza 2026
O mais antigo dos festivais de cinema do mundo está em sua 83ª edição. O Festival Internacional de Cinema de Veneza vai ocorrer na Itália, entre 2 e 12 de setembro (pegando por três dias de simultaneidade as notícias do TIFF 2026).
Entre os filmes aguardados na programação oficial no Lido de Veneza, estão obras como “Ink” (do diretor britânico Danny Boyle, como filme de abertura), a comédia de humor negro “Wild Horse Nine” (que tem no elenco John Malkovich), “Bunker” (o thriller do diretor francês Florian Zeller, de “Meu Pai”, com Penélope Cruz no elenco), além de filmes novos de Hirokazu Kore-Eda (“Sheep in the Box”, que esteve em Cannes 2026), do sul-coreano Lee Chang-dong e do mestre alemão Werner Herzog.
Outros nomes de peso que estarão com seus filmes em Veneza 2026 são Luca Guadagnino e Paul Schrader. O júri desta edição do festival será presidido pela atriz e cineasta Maggie Gyllenhaal (diretora de “A Filha Perdida” e “A Noiva!”). O filme que encerrará Veneza será “Dio Ride”, dirigido por Giovanni Veronesi
Os números de “Obsessão” e “A Odisseia”
Dois fenômenos já estão fazendo história nas telonas, em 2026. O primeiro deles é o longa “Obsessão”, escrito, dirigido e montado por Curry Barker, feito com micro orçamento para os padrões americanos (pouco mais de 750 mil dólares) deverá alcançar a marca de meio bilhão de dólares nas bilheterias de todo o mundo nos próximos dias.
Comprada pela Focus Features (por 14 milhões de dólares, quando o filme causou furor no TIFF 2025) e estrelada por Inde Navarrette (que interpreta Nikki), Michael Johnston (que dá vida ao anti-herói Bear), Megan Lawless (a Sarah) e Cooper Tomlinson (o Ian), a produção segue nas telas como a maior renda alcançada em todos os tempos por um filme produzido com menos de 1 milhão de dólares. “Obsessão” ultrapassou, portanto, a barreira de filmes de baixo orçamento como “A Bruxa de Blair” e o clássico “O Exorcista”, dirigido por William Friedkin.
Já a superprodução “A Odisseia”, dirigida pelo britânico Sir Christopher Nolan, rendeu em bilheterias em todo o mundo algo mais de 939 milhões de dólares, podendo ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares nos cinemas já nos próximos dias, após três semanas de seu lançamento. Lembrando que a aventura baseada na obra eterna de Homero teve orçamento de 250 milhões de dólares. No elenco, estão Matt Damon (como Ulisses), Anne Hathaway (como Penélope), Zendaya (como Athena) e astros como Robert Pattinson, Elliot Page e Charlize Theron.
Tendo sido a primeira obra do cinema inteiramente rodada em película nas câmeras no sistema IMAX 70mm, a direção de fotografia ficou mais uma vez a cargo de Hoyte Van Hoytema, que filmou “Oppenheimer” e “Dunkirk” para Nolan. Aliás, “A Odisseia” ultrapassou o próprio “Oppenheimer”, nas bilheterias do final de semana de lançamento, tendo arrecadado mais de 264 milhões de dólares. Para completar, ainda falta a contabilização de bilheterias pendentes na China, no Japão e na Coréia do Sul.
Na próxima edição, vamos nos debruçar em “Obsessão”, de Curry Barker.
Claquete batida!

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