Tudo o que vem em outubro, passando por filmes e festivais

Por: Ruy Jobim Neto
Esta edição de CLAQUETE traz novidades do CINE BH, em Minas Gerais, bem como as informações do tiff 2026, em Toronto. A coluna traz notícias do Doc Lisboa (com Juliette Binoche e o compositor Nino Rota), o Festival do Rio e produções que podem alçar à indicação literalmente tripla de Melhor Filme Internacional, no Oscar do ano que vem. Para bater muita claquete!!!!!!!!!
20 ANOS DE CINE BH E SUAS NOVIDADES
Entre os dias 22 e 27 de setembro, ainda finalizando o mês, a capital mineira vai sediar o cinema nacional. O CINE BH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, em sua vigésima edição, a relação do cinema brasileiro com o mercado será pensada, bem como a questão das parcerias e coproduções internacionais. Entre os filmes selecionados, o cinema brasileiro e o latino-americano são os focos, serão exibidos 102 filmes, entre 49 longas e 53 curtas, sendo exibidos ao longo de 69 sessões de cinema.
A programação gratuita facilita o acesso do público às pré-estreias, sessões comentadas, aos debates e atividades formativas e de mercado. A abertura do 20º CINE BH acontecerá em 22 de setembro, às 20h, Grande Teatro do Cine Theatro Brasil (na Av. Amazonas, 315, no Centro) com o longa “Se Eu Fosse Vivo…Vivia”, de André Novais Oliveira, produção da Filmes de Plástico.
Entre os filmes que estarão no CINE BH, o público vai encontrar “Pele de Rinoceronte” (de Marcelo Maia, com Débora Falabella no elenco), “Leite em Pó” (de Carlos Segundo), “Virtuosas” (de Cíntia Domit Bittar), “Yellow Cake” (de Tiago Melo), “O Filho da Puta” (de Otto Guerra, Tanya Anaya, Sávio Leite e Érica Maradona), “Entre o Sucesso e a Lama” (de Cristiano Burlan), “Adulto/Homem” (de Pedro Diógenes), “Reparação” (de Marcos Curvelo) e “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” (de Janaína Marques).
OS FILMES DO FESTIVAL DO RIO 2026
Diego Luna, Dominga Sotomayor e outros diretores estarão com seus longas na próxima edição do Festival do Rio, que acontecerá entre 1 e 11 de outubro, com várias iniciativas entre as quais a reafirmação do compromisso com a circulação do melhor do cinema independente internacional no Brasil, a distribuição de produções no país, a renovação dos prêmios de aquisição por canais de TV.
Entre os filmes dessa 28ª edição, estão “A Gradiva” (de Marine Atlan, filme premiado em Cannes), “Memória de Menina” (de Judith Godrèche, baseado na obra de Annie Ernaux, “Allegro Pastell” (da alemã Anna Roller), “Iván & Hadoum” (de Ian de La Rosa), “Cinzas na Boca” (com direção do ator mexicano Diego Luna), “O Degelo” (de Manuela Martelli), “Glaxo” (de Benjamin Naishtat), “La Perra” (de Dominga Sotomayor, com Selton Mello no elenco e produção da RT Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira). Muitos deles já estrearam ou foram premiados em outros festivais, alguns estreiam no Festival do Rio e seguem depois suas carreiras nas telas.
Na gala de abertura, o espanhol “La Bola Negra”, dos diretores Javier Calvo e Javier Ambrossi, com Penélope Cruz no elenco, um filme sobre a Guerra Civil Espanhola, produção que está entre os três pré-indicados ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional (em matéria, ainda nesta CLAQUETE).
JULIETTE BINOCHE, DE SICA E NINO ROTA NO DOC LISBOA
“Em outubro, o mundo inteiro vem a Lisboa”, diz o slogan da 24ª edição do festival Doc Lisboa, que acontece entre 15 e 25 de outubro, com sessões especiais como a Heart Beat (batida do coração) e a New Visions (novas visões) onde os documentários apresentados dialogam com as mais diferentes expressões artísticas.
É o caso da estreia na direção da atriz francesa Juliette Binoche (Oscar de Melhor Atriz em 1997 por “O Paciente Inglês”), que traz o seu “In-I In Motion”, um filme que revisita a intensa colaboração da atriz com o dançarino e coreógrafo Akram Khan, refletindo sua criação artística, os riscos e a transformação pessoal.
Já o italiano Francesco Zippel traz o documentário “Vittorio de Sica – Staging Life”, um retrato íntimo do lendário diretor italiano, cujo trabalho transformou a maneira como vemos a realidade (De Sica dirigiu obras como “Ladrões de Bicicleta” e “Girassóis da Rússia”, entre outros). A ex-esposa do cineasta Orson Welles, Oja Kodar, revisita o marido em “Orson Welles: The One-Man Band”, trazendo filmagens raras dos projetos inacabados do artista americano, revelando fragmentos e sonhos.
O compositor italiano Nino Rota, que musicou não só boa parte da filmografia de Fellini como também compôs a trilha dos dois primeiros O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, é tema do filme “Nino – A Film About Nino Rota”, dirigido por Walter Fasano. O filme é narrado pelo cantor Sting e explora as coneções artísticas, pessoais e espirituais de Nino Rota, uma vida devotada inteiramente à música.
O documentarista Eryk Rocha (filho de Gláuber Rocha) traz “Elza”, sobre a cantora brasileira Elza Soares e a diretora Sonia Gonzalez vem ao DocLisboa com “Kate Bush – The Timeless Genius” (algo como Kate Bush – A gênia atemporal), sobre a cantora inglesa. Já na atmosfera literária, o filme de Alex Gibney, “Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie” (Faca: A Tentativa de Assasinato de Salman Rushdie), fala sobre o atentado à faca que sofreu o escritor iraniano, autor dos “Versos Satânicos”.
O TIFF 2026 E SEUS VENCEDORES
Tendo encerrado dia 20, em Toronto, no Canadá, o tiff 2026 anunciou seus vencedores. “La Bola Negra” (dos “Los Javis”, os diretores espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi) foi o grande laureado, ganhando o Prêmio de Escolha do Público. Focado em vidas entrelaçadas de três gerações de homens homossexuais na Espanha, a história tem Penélope Cruz no elenco, cotadíssima para o Oscar por esse filme (e ela pode concorrer consigo mesma por “O Convite”, de Olivia Wilde).
Em segundo e terceiro lugar, respectivamente, estão “Eu Sou o Rocky” (direção de Peter Farrelly, em história que remonta como Sylvester Stallone escreveu e protagonizou o filme “Rocky – Um Lutador”) e “Being Heumann” (com direção da americana Sian Heder). “Elsinore” (com direção de Simon Stone) foi o vencedor do People’s Choice Internacional, enquanto o documentário “Darlene Love: Eu Sei Onde Estive” (de Barry Avrich) ganhou em sua categoria do júri popular e “Ladies and Gentlemen, Brian Mulroney” venceu a escolha do público na Midnight Madness.
Pelo Júri Oficial do tiff, venceu “Angh”, com direção der Theja Rio, na mostra Platform. O filme, por ter vencido nessa categoria, está catapultado para uma possível vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional. Por sua vez, o filme “Vicentina Pede Desculpas”, dirigido por Gabriel Martins (de “Marte Um”) competiu na categoria internacional, mas não levou nenhum prêmio.
A ACADEMIA JÁ VISLUMBRA TRÊS FILMES PARA O OSCAR INTERNACIONAL
“La Bola Negra”, com Penélope Cruz e Glenn Close, filme dirigido pelos “Los Javis” (os espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi), o filme de 160 minutos recém-saído vencedor do tiff 2026 e muito aclamado no último Festival de Cannes, está entre as grandes apostas para o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027.
Junto com a produção espanhola, está o vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2026, “Fjord”, de Christian Mungiu, cineasta duas vezes premiado com os louros franceses. O filme, sobre uma família da Romênia radicada na Noruega e com questões de educação religiosa dos filhos, tem Renate Reinsve (de “A Pior Pessoa do Mundo” e “Valor Sentimental”, ambos filmes de Joachim Trier) e Sebastian Stan no elenco.
O terceiro filme da pré-lista dos filmes que percorrem festivais é “All of a Sudden” (que dá pra traduzir como “De Repente”), dirigido pelo japonês Ryusuke Hamaguchi (diretor do maravilhoso “Drive My Car”). Aqui, as atrizes Virginie Efira (que é francesa) e a japonesa Tao Okamoto, que dividiram o prêmio de Melhor Atriz na 79ª edição do Festival de Cannes, em maio de 2026.
Claquete batida!!!!!!!!!!!!!!
