Bárbara Luz, além de “Ainda Estou Aqui”
Na Claquete nº 9, Ruy Jobim Neto acompanha a ascensão de Bárbara Luz após "Ainda Estou Aqui", comenta o fenômeno internacional de "Obsessão" e apresenta os destaques da seleção do Festival de Gramado 2026.

Por: Ruy Jobim Neto
Trajetória em ascensão
Nalu, uma das filhas do casal Rubens e Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles Jr., foi levada às telas na pele da atriz mineira Bárbara Luz, de 24 anos, filha do também casal de atores Inês Peixoto e Eduardo Moreira. Numa das cenas do longa, ela contracena com Selton Mello, que interpreta o deputado desaparecido durante o regime militar e Nalu pede uma camisa emprestada ao pai, no momento que os paramilitares vêm buscar Rubens Paiva.
Carismática, belíssima, de traços meigos, olhos grandes e expressivos, Bárbara Luz hoje vive em Paris, onde estuda Teoria Teatral na Universidade Sorbonne Nouvelle. Entre os dias de estudos, ela trabalha como garçonete para garantir os custos de vida na França. E, apesar da jovem idade e da filmografia importante, Bárbara tem se consolidado como um dos principais nomes da atuação mineira no cinema brasileiro da atualidade. Basta lembrar o Oscar vencido por “Ainda Estou Aqui”, que deu a ela maior visibilidade internacional.
Mas a filmografia da atriz ainda passa por duas obras do cineasta Eduardo Nunes, um deles sendo “Unicórnio”, de 2017, que marcou a estreia de Bárbara no Cinema, tendo no elenco Patrícia Pillar e Zécarlos Machado. No outro filme, mais recente, de 2023, “Cinco da Tarde”, filmado em Niterói, produzido pela Rio Filme em coprodução com Portugal, ela contracena com Sharon Cho.
Na esteira, a cineasta mineira Elza Cataldo lançou em 2025 o longa “O Silêncio de Eva”, sobre Eva Nil, uma das atrizes icônicas do cinema mudo do chamado Ciclo de Cataguases, de produções de cineastas como Humberto Mauro, sendo que Eva é interpretada por Bárbara. O filme é um documentário, esteve em salas de cinema em São Paulo e Belo Horizonte e pode ser encontrado em diversas plataformas. Nesta produção, a atriz contracena com a mãe Inês Peixoto e o pai, Eduardo Moreira.
Bárbara, até 2025, não havia pisado no teatro, embora sempre acompanhasse nos bastidores a trajetória dos pais, lembrando que Inês Peixoto é componente do Grupo Galpão, de Belo Horizonte. Foi exatamente ao lado do pai que ela pisou nos palcos em “Das Ding”, dirigido por Marcelo Castro e Filipe Lampejo, com texto e dramaturgia de Paloma Vidal, uma peça que mescla teatro e audiovisual para explorar a relação entre pai e filha. O espetáculo estreou no Teatro de Bolso do Centro Cultural SESIMINAS, na capital mineira.
O absoluto domínio de Bárbara diante das câmeras fica evidente em trabalhos como “Cinco da Tarde”, de Eduardo Nunes, em que interpreta Anabel, uma garota de 17 anos e que perde sua avó. Morando no mesmo prédio que Meiko (Sharon Cho, em sua estreia no Cinema), uma adolescente que trabalha como florista num parque em frente, Anabel estabelece contato. A princípio, as duas garotas têm suas estranhezas, mas vão se adaptando, percebendo que ambas tiveram suas perdas, que é exatamente onde elas começam a se conectar. A direção de Nunes consagra o talento do elenco.
Rodado em belíssimo preto-e-branco pela câmera de Mauro Pinheiro Jr., diretor de fotografia extremamente criativo que acompanha a obra de Eduardo Nunes (é deles dois as belíssimas composições de “Sudoeste”, de 2011, com Simone Spoladore no elenco), “Cinco da Tarde” é perpassado entre realidade, pensamentos, devaneios, lembranças e cenas de uma plasticidade deslumbrante, com chiaroscuros lindos, silhuetas, simetrias, câmeras paradas na grande maioria do tempo e movimentos poucos, mas cheios de significado, uma encenação onde se é possível não só contemplar as atuações delicadas de Sharon e Bárbara, como também perceber a passagem do tempo e as filigranas de rica interpretação das atrizes. Inclusive, o pé de Anabel, que não para de trepidar por boa parte da estória, até ele tem delicado desfecho. Um arco dramático só dele.
Neste filme, Bárbara Luz entrega uma Anabel de emoções dolorosas, no início da história, cujo arco do próprio figurino que veste vai se aliviando, enquanto o apartamento da avó, onde ela morava até então – convivendo com um aquário de peixinhos – passa a ser um impeditivo. Mas, à medida que o tempo passa, não só o figurino fica mais leve, mas as atitudes de Anabel ficam mais suavizadas, sem o pé trepidante, ela vai sentindo não apenas o ambiente com mais presença, mas a figura de Meiko, em cujo apartamento passa a conviver. Anabel, via Bárbara, encontra o seu caminho. E que caminho belo, podemos acrescentar.
O site IMDb nos atualiza, lembrando que em 2019, Bárbara codirigiu um curta chamado “Entre”, ao lado de Ana Carolina Marinho, em cujo elenco estão Anna Zêpa (atriz do Rio Grande do Norte, radicada em São Paulo e também cineasta) e Daniela Evelise. Em 2024, coescreveu “Eu Também Não Gozei”, dirigido por Ana Carolina Marinho, um documentário em longa-metragem. Na TV, por sua vez, interpretou Gabriela, na minissérie “Santo Maldito”, em 2023, onde atua ao lado de Filipe Camargo. Assim, é aguardar os próximos passos, na tela ou nos palcos, de Bárbara, um dos nomes que já despontam na filmografia brasileira com seus grandes dotes e talentos. De Minas para o mundo.
OBSESSÃO atinge mais de US$ 409 milhões em bilheteria
As notícias que chegam das bilheterias de todo o mundo é que “Obsessão”, filme dirigido por Curry Barker, youtuber criador do canal “That’s a Bad Idea” (algo como Essa É Uma Péssima Idéia) vai superar a marca de 409 milhões de dólares somente nos cinemas, tendo custado pouco mais de US$ 750 mil, uma miséria para os padrões americanos. A produção independente de horror psicológico tem um ponto de partida simples – é a história de Bear (Michael Johnston), que é apaixonado por Nikki (a bela Inde Navarette) desde o colégio, embora nunca tenha tido coragem para se declarar, ele compra um presente para a garota. E não entrega a ela. Ele faz pior.
O presente é um graveto mágico que atende a pedidos. Bear resolve ele mesmo usar o graveto para fazer um pedido – de que Nikki passe a amá-lo acima de qualquer outra coisa no mundo. A partir daí, Nikki ganha o filme, num misto de pessoa dominada por uma vontade incontrolável e Inde Navarette entrega uma Nikki que diverte e apavora não pelo susto, mas pelo amor obcecado. O filme é um sucesso mundial, comprado pela Focus Features e retornou maisde 400 vezes o seu orçamento. Todo o elenco é composto de atores (até então) desconhecidos e sua estrela, a belíssima Inde Navarette, americana de 25 anos, está sendo cotada até para o Oscar 2027.
Festival de Gramado 2026 apresenta filmes selecionados
A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado (RS), que acontecerá entre os dias 12 e 22 de agosto (com abertura oficial no dia 14), considerado uma das mais importantes vitrines do cinema nacional, apresentou os seis filmes que disputarão os prêmios Kikitos. No dia da abertura, será exibido o filme “Antártida”, dirigido por Bruno Safadi. Nesta edição, será homenageado o dramaturgo e ator Marcos Caruso.
Os filmes concorrentes na Mostra Competitiva são: “Chorão: Só os Loucos Sabem” (de Hugo Prata e Felipe Novaes), “Feito Pipa”, com Lázaro Ramos no elenco, dirigido por Allan Deberton, “Justino – Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte, “Leite em Pó”, de Carlos Segundo, “Nosso Segredo”, de Grace Passô e “Pele de Rinoceronte”, com Débora Falabella no elenco, dirigido por Marcelo Ludwig Maia. Todos os filmes são inéditos nas telas do cinema brasileiro, o que reforça o Festival de Gramado como um palco de estreia de importantes produções do País.
Claquete batida!
